domingo, 21 de outubro de 2012

Mudanças






Eu vivo numa terra
Onde tenho amigos,
Onde sou feliz.

Digo adeus a essa terra,
Digo adeus a meus amigos,
Digo vou sair daqui.

Vou para uma outra terra,
Vou ter com novos amigos,
Acompanha-me a saudade
De que nunca me esqueci.

O tempo não me fará
Esquecer o que vivi
Mesmo estando longe agora
Da terra que amei outrora.

E a vida continua
Mesmo não tendo corrido
Como eu a planeei.

Já não faz parte da tua.
Agora és uma memória.
Que com carinho guardei.







domingo, 16 de setembro de 2012

O ciclo de um estudante


Mais um ano. Mais um ano lectivo que começa. Embora tal facto entristeça muita gente, sinto‑me contente por mais um ano, mais uma turma, novos colegas. Vontade de que aconteça algo de novo, de conhecer algo novo.
O tempo passa depressa, por vezes mais depressa do que eu. As férias já lá vão, perdidas no tempo. Nunca mais voltam. Não as mesmas. Outras virão no futuro, ou no presente que no futuro viverei, pois o futuro não se vive, é uma ilusão. É uma infinidade de possibilidades. Muita gente deixa de viver o presente para pensar nas possibilidades de um futuro que nunca chegará. Há o ontem e o hoje. O amanhã é outro hoje, é o hoje de amanhã. E amanhã, hoje será ontem. Há o ontem e o hoje e como o tempo passa depressa chegará novamente o hoje das férias. No futuro, no presente que no futuro viverei. Este hoje, onde escrevo este texto, tornar-se-á num distante ontem, e este texto que hoje escrevo tornar-se-á num texto que escrevi.
Enquanto não chegam as novas férias, terei de me esforçar para alcançar os objectivos deste ano lectivo. Estudar, perceber, aprender, memorizar, não esquecer. Mas tudo isto passará depressa. Depois chegam novas férias, depois chega mais um ano. Mais um ano lectivo que começa. 




sábado, 15 de setembro de 2012

A Terra-de-onde-as-cores-desertaram


“Quando acordou, de manhã bem cedo, abriu os olhos sem saber onde estava, mas o quarto de paredes brancas, com quadros brancos, móveis brancos, chão branco, deixaram-na perplexa. Levantou-se e correu a abrir a janela branca. Para seu espanto, as montanhas eram cinzentas, as árvores e os jardins também. Percebeu que estava na Terra‑de‑onde‑as‑cores‑desertaram.”


Rosa pensou que estava a sonhar mas o belisco tirou-lhe as dúvidas.

Bateram à porta. Era um velho senhor chamado Bernardo, líder do Grupo dos Restauradores das cores. Dirigiu-se a Rosa e disse-lhe:

         - Este mundo nem sempre foi assim. As pessoas viviam alegres e sorridentes. Mas agora, sem as cores, não podemos ser felizes. A tristeza domina os nossos corações. Já não há vida nesta terra. Tudo tem a cor da morte. Grey não gosta de outra cor senão cinza e branco. Até proibiu as festas em honra do Arco‑Íris que costumávamos realizar todos os anos. Estamos a planear tirá-lo do trono mas não sem primeiro restituirmos as cores a este reino. Espero que esse dia esteja perto. Quando procurámos ajuda numa outra dimensão, apareceste tu. Não sabemos a razão, mas temos a certeza de que nos podes ajudar.


             -Que posso fazer por vós?

          -O primeiro passo é saber como desapareceram as cores. Algo nos diz que possuis essa informação.      

            - Vou contar-vos uma história que a minha avó me costumava contar. Era uma vez um reino, uma grande e próspera terra. Antigamente chamava-se Colorida e todos os anos havia uma festa em honra do Arco-Íris, seu padroeiro. Todos gostavam desta época festiva, todos menos o príncipe Grey que tinha as trevas no coração. Quando o rei morreu, Grey subiu ao trono e proibiu o Arco-Íris de aparecer no seu território. O Arco-íris recusou-se a ceder à exigência de Grey, mas este tinha dotes de feiticeiro. Lançou‑lhe um feitiço e nunca mais ninguém o viu. O tempo passou, todos notaram que as cores não tinham a mesma vida de outrora. As flores andavam cabisbaixas e as pessoas também. O Reino ia escurecendo e as cores acabaram por desertar.

 A história que Rosa contou fez Bernardo perceber que as cores vinham do Arco‑Íris e não haviam desaparecido antes porque eram renovadas todos os anos no dia da festa. Mas agora não havia festa nem Arco-Íris, nem renovação das cores.

 Consultaram o Grande Livro de Todos os Feitiços Alguma Vez Lançados e, depois de o folhearem durante bastante tempo, descobriram que o Arco-Íris fora vítima do feitiço da descoloração. Rosa lera sobre isto num dos seus livros. O feitiço da descoloração é anulado com a poção da origem dos Arco-Íris. Faz-se com uma nuvem carregada de água, um raio de sol e uma pitada de qualquer cor. Nuvens não faltavam em Terra‑de‑onde‑as‑cores‑desertaram mas conseguir um raio de sol seria uma tarefa muito difícil e uma cor, impossível. Foi então que surgiu uma ideia.

            - Podemos utilizar uma pitada de Rosa. – Disse Bernardo.

            - Não estou a perceber.

       - Eu explico. Tu serás a cor. Juntaremos um fio de cabelo teu aos outros ingredientes. Por isso foste a escolhida. Porque és uma cor e sabes da história. E assim poderemos acabar a poção.

            Um dos obstáculos estava ultrapassado. A próxima meta seria arranjar o resto dos ingredientes. Bernardo apressou-se a trazer uma nuvem carregada de água, diminuindo-lhe o tamanho com a sua varinha. Para conseguirem o raio de sol tiveram de subir à montanha mais alta, que atingia o mais alto ponto dos céus (media 10 everests!!). Aí, por cima das nuvens, poderiam ver o sol radiar. Subiram durante 225 horas.

            Quando finalmente chegaram ao topo, puderam guardar o raio necessitado. Escalar esta montanha era uma tarefa extremamente complicada. Tal feito merecia uma recompensa. No momento em que recolheram o raio a montanha começou a mover-se formando um enorme escorrega até à superfície. Quando chegaram lá abaixo prepararam a poção. Agora teriam de encontrar a fonte da origem dos Arco-Íris e derramá-la lá. Depois de muitas pesquisas na biblioteca, por livros e mapas, finalmente encontraram o local procurado.


           Quando lá chegaram, para sua surpresa, estava Grey à espera. Sacou da varinha e apontou-a a Bernardo.

            - Ousaste desafiar o teu rei e agora pagarás.

         Enquanto Bernardo e Grey disputavam uma batalha de luzes, Rosa caminhava em direcção à fonte sem que dessem por nada. Derramou a poção e imediatamente surgiu daquele buraco um Arco-Íris que se estendeu até onde a vista não alcança. Quando Grey se voltou, num impulso, para ver, enfurecido, o que Rosa tinha feito, Bernardo lançou-lhe uma luz que o fez desaparecer.

            - Muito bem Rosa! Olha, olha como as cores estão a voltar.

            - Estamos em Colorida. – disse Rosa sorrindo – Que aconteceu a Grey?

         - Na verdade não sei. Aconteceu tudo muito rápido. Limitei-me a movimentar a varinha, não sei que feitiço dali saiu.

            - Esperemos que não volte…

Neste dia, em que Colorida voltou à vida, realizaram a festa do Arco-Íris, que passaria para esta data. Subiu ao trono um jovem adulto chamado Afonso, que era amado por todos os habitantes. Bernardo tornou-se conselheiro do novo rei e Rosa seria eternamente lembrada como aquela que trouxera as cores de volta ao reino.

 Ao fim da tarde Rosa estava  cansada e foi deitar-se. Acordou com a voz da mãe que a chamava para tomar o pequeno-almoço. Podia ver-se uma ponta de desilusão na sua cara. “Afinal não passou tudo de um sonho”. Se ela tivesse olhado para a janela antes de sair do quarto, tinha visto que Grey estava à espreita, à procura de vingança…


É Urgente


     
É urgente acabar com o desconcerto do mundo. É urgente respeitar os outros. É urgente haver pão em todas as bocas. É urgente voltar a pôr o cravo na arma. É urgente baixar os punhos. É urgente pensar e reflectir. O ser humano assemelha-se cada vez mais aos animais. É urgente continuarmos racionais. Este mundo já existia antes de nós. Devemos perceber que não somos donos dele.
Num país onde a crise alastra, é urgente acabar com a dívida externa e inverter a situação. É urgente educar a nova geração preparando-a para os tempos futuros. É urgente derrubar os muros que separam os corações. É urgente estender a mão e ajudar quem necessita. É urgente apagar a televisão e parar de folhear a superficialidade. É urgente voltarmos aos velhos hábitos familiares. É urgente o diálogo à refeição. É urgente dizer apenas as verdades. É urgente ter vontade de aprender e trabalhar. É urgente conviver e descolar do computador. É urgente aprender a amar.
É urgente percebermos que todos devemos contribuir para melhorar o mundo e que pequenos gestos podem fazer a diferença.